Indígenas.BR - Festival de Músicas Indígenas 2023

09 a 12 agosto 2023

A 5ª edição do Indígenas.BR será realizada de 9 a 12 de agosto e tem curadoria de Djuena Tikuna e Magda Pucci.

São cantos, histórias, ancestralidades e diferentes tradições sonoras e perspectivas estéticas indígenas.

Confira a programação:

9 de agosto

16h – Conversa Aberta: Histórias de Vidas Indígenas e convite à exibição de seus documentários (Museu da Pessoa)

 

Participantes:
Cacique Antonio Wilson Guajajara
Liderança Tatusia Awá-Guajá
Guardiões da Memória:  Dailson Marico Guajajara, Cleane Lianna Guajajara, Inamupihu Awá-Guajá
Participam lideranças tradicionais locais da Terra Indígena (TI) Pindaré, TI Alto Turiaçu, TI Caru e jovens que fizeram parte do projeto Vidas Indígenas Maranhão desenvolvido pelo Museu da Pessoa com patrocínio do Instituto Cultural Vale. Ações de mobilização e formação para o registro e disseminação de histórias de vida de anciões pelos jovens resultaram no movimento Guardiões da Memória, para ampliar as ações de valorização das memórias dos povos indígenas.

 

Instalação com documentários realizados pelos Guardiões da Memória

Depoimentos realizados para o projeto Vidas Indígenas Maranhão, que contou com a participação de lideranças tradicionais locais dos povos Guajajara, no município Bom Jardim, Ka’apor, no município Zé Doca e Awá-Guajá, no município Alto Alegre, todos no Maranhão, e dos Guardiões de Memória.

19h – Abertura com as curadoras Djuena Tikuna e Magda Pucci

 

20h – Apresentação de Djuena Tikuna com representantes dos povos Guajajara e Awá Guajá

10 de agosto

10h – Oficina: Conte a Sua História

Os Guardiões da Memória Arakurania Awá-Guajá, Jocy Guajajara e Vitor Guajajara Nascimento convidam os participantes a contarem e registrarem uma história da sua vida.
Sentar em círculos para contar e ouvir histórias é prática antiga. E cada um de nós possui lembranças e vivências,  experiências marcantes, marcos de mudança e descobertas. Cada memória que nos parece tão particular está repleta das memórias e das experiências dos grupos a que pertencemos, reflete a história de um tempo.
Os Guardiões da Memória convidam para que cada pessoa participe desta experiência e conheça formas de preservar a sua história.

16h – Conversa Aberta: Casa do Saber Mba’ekuaa

Participantes
Justino Melchior (Tukano/AM),
Terezinha Aquino (Guarani Kaiowá/MS)
Irene Gavião (Gavião/MA)
Ercilia Perez e Carmen Torres (Warao/Venezuela/MA).
Mediação: Paola Gibram (SP)
Cantos que curam, que circulam conhecimentos, que rememoram, que agem sobre os mundos visíveis e invisíveis. Os cantos entoados pelos xamãs, pajés, curadores extrapolam a relação entre humanos e abrem caminhos para a relação com outros planos e seres. Nesses cantos residem conhecimentos ancestrais de cada povo, contidos em cada palavra,  cada forma de cantar. Um encontro de grandes conhecedores indígenas, a Casa do Saber Mba’ekuaa propõe que sejam trazidos à roda vozes, sonoridades, experiências, saberes e tradições de Justino Melchior (comunidade Bayaroá), Terezinha Aquino (Guarani Kaiowá), Irene Gavião, Ercilia Perez e Carmen Torres do povo Warao hoje vivendo em São Luis do Maranhão.

19h – Apresentação Grupo Bayaroá (AM)

Participantes:
Justino Yupuri Baya (Tukano)
Maria de Fátima Pena Lana (Desana)
Clóvis Lana Pena (Tukano)
Armar Lana Pena (Tukano)
Luiz Aldemar Rezende Barreto (Tukano)
Stefany Barros Pena (Tukano)
Elvira Sampaio Alcântara (Tariana)
Rosa Raquel Lima Barros (Piratapuya)
O grupo Bayaroá é formado por pessoas pertencentes aos povos Tukano, Tuyuka, Desana, Pira-Tapuya, Tariana e Bará e se originou da reunião de indígenas que saíram de suas aldeias e foram morar no bairro de São João, na periferia de Manaus. O nome Bayaroá vem da palavra bayá que significa “mestre em danças e rituais”, segundo Seridu Justino Tukano, curandeiro (kumua) mestre e bayá da comunidade Bayaroá.  A comunidade Bayaroá representa, de certa maneira, um microcosmo da cultura do Alto Rio Negro, pois engloba diferentes grupos que compartilham modos de vida, organização social. A apresentação do grupo é composta por melodias que estão associadas a canções com temas sobre situações amorosas, estados de alma e animais. Utilizam em sua apresentação as flautas japurutu, que produzem um efeito hipnótico e são como “espírito do som” e as cariço, uma espécie de flauta de pã amazônica.

20h – Estreia Documentário Os Warao de Upaon-Açu, seguido de bate-papo com diretores

Direção: Priscila Tapajowara, Carlos Magalhães

Sinopse: O povo Warao rompe as fronteiras criadas pela colonização, habitam a cidade, habitam as ruas, habitam a margem do rio, habitam à margem da sociedade. Mirando o futuro de um povo, eles cantam para curar, amar, sonhar e fazer chover. Em uma São Luís periférica, um povo habita, com sua ancestralidade territorial, um espaço. E celebram um novo aliado: o mar da Jamaica brasileira.

21h – Apresentação Musical Warao Indígena Jojomo Venezuelano (Venezuela/MA)

 

Os Warao são um povo indígena originário da região do Delta do rio Orinoco, na Venezuela. Estão presentes há milhares de anos no norte da América do Sul e falam a língua warao, que não pertence a nenhuma família linguística conhecida. Desde a década passada, milhares de pessoas deixaram a Venezuela, que passa por uma grave crise humanitária, para buscar melhores condições de vida em outros países. Muitas dessas pessoas são do povo Warao e vieram para o Brasil. Desde 2019, o Maranhão tem recebido famílias Warao. A maior parte delas vive atualmente na ilha de São Luís, nos municípios de São José de Ribamar e na capital. O grupo Warao Indígena Jomomo Venezuelano foi formado por cantores e dançarinos Warao de São José de Ribamar para fortalecer as práticas culturais tradicionais do seu povo e apresentar ao público a riqueza da música de seu povo.

11 de agosto

10h – Oficina: Música do Rio Negro – Justino Melchior (Tukano/AM)

Nesta oficina, o mestre dos cantos Sr. Justino irá demonstrar instrumentos da música de sua comunidade como as flautas japurutu e as cariço que são referência fundamental na região do Alto do Rio Negro. A Cariço (em Nheengatu) é uma flauta de pã, que também dá nome a uma dança em pares. São tubos de taquara amarrados com fibras. A afinação dos tubos é variável, e a execução sempre se dá em grupo, pode ser dupla ou mais pessoas, sendo que um deles desempenha o papel de “mestre” e os outros respondem. A Japurutu é tocada em duplas: uma fêmea e um macho, sendo que o macho toca os sons mais graves e a fêmea os mais agudos. O japurutu não tem furos e as diferentes alturas são produzidas a partir dos harmônicos.

16h – Conversa Aberta: Música Indígena Contemporânea

Participantes:
Eric Terena (MS)
Ian Wapichana (RR/SP)
Guildy Blan (AM),
Djuena Tikuna (AM),
Mediação: Brisa Flow (SP)
Um bate-papo sobre a cena da música indígena contemporânea formada por jovens indígenas artivistas que têm usado a música como arma de resistência e luta pelos direitos dos povos originários, buscando dar visibilidade expressiva às suas existências, sempre silenciadas.  Mediados pela cantora e compositora Brisa Flow, participam dessa mesa o produtor e DJ Eric Terena, o músico de Roraima Ian Wapichana, o produtor musical dos Solimões Guildy Blan e a cantora Djuena Tikuna, também curadora da edição deste festival.
Essa cena vem se expandindo cada vez mais, com destaque em importante em mídias e sempre aliada aos movimentos e organizações que configuram um momento de forte protagonismo indígena.

19h – Apresentação Ian Wapichana (RR/SP) part. esp. Brisa Flow

 

Ian Wapichana é artista, produtor audiovisual, produtor musical, músico multi-instrumentista, escritor e poeta. Pertencente aos Wapichana, povo originário, norte de Pindorama. Fascinado pela pluralidade dos povos, deu início aos seus experimentos musicais e visuais no intuito de desmistificar e romper pensamentos colonizados sobre os povos originários que habitam nesse imenso território. Neste show, Ian contará com a participação da artista transdisciplinar Brisa Flow que trabalha com linguagens musicais que misturam rap com cantos ancestrais, jazz, eletrônico e neo/soul. Filha de artesãos araucanos atua no cenário artístico como cantora, produtora musical, performer e pesquisadora. Constrói arte a partir da vivência de seu corpo no mundo, criando caminhos que desprendem das amarras da colonialidade.

20h – Apresentação Guildy Blan e Grupo Yoi (AM)

Vozes: Genário Araújo e Guildy Blan Tikuna
Tecladista: Dailson Araújo
Guildy Blan Tikuna é cantor e produtor da comunidade indígena de Umariaçu, da cidade de Tabatinga, no Amazonas.Com o intuito de representar o seu povo Tikuna e  promover a valorização da sua língua materna,  entram na sua música elementos de ritmos dançantes como a cumbia, muito presente na fronteira entre Amazonas, Peru e Colômbia, do reggaeton e outros estilos urbanos. O grupo participou da Mostra Wiyaé no Teatro Amazonas a convite de Djuena Tikuna.  Em 2022, uma de suas canções foi premiada com melhor música indígena do Alto Solimões no Festival de Música 100 anos da Rádio Nacional na cidade do Rio de Janeiro. Nesta apresentação ele conta com a participação de seu pai Genário Araújo e do tecladista Dailson Araújo. O show de Guildy Blan  é um convite para dançar.

12 de agosto

10h – Oficina Os cantos que acalentam os encantados e os instrumentos sagrados   Djuena Tikuna e Diego Janatã (AM)

Oficina que apresenta aspectos da cultura e da música Tikuna. Nós cantamos o canto dos encantados. É a herança dos nossos ancestrais que vivem em cada um de nós. Durante a vivência trazemos para o público um pouco do que somos, de como entendemos o mundo através de nossa musicalidade, de como nos expressamos com o canto, com o grafismo das pinturas de jenipapo e com o artesanato. Durante a vivência, dividimos o que temos aprendido nas comunidades, na beira do fogo, na beira do rio, no meio da floresta, nas aldeias no campo e na cidade, escutando a sabedoria dos mais velhos e a curiosidade dos mais novos. Serão contadas histórias desde o tempo dos antigos, quando os imortais Yoi e Ipi salvaram a terra da Samaumeira que escurecia o mundo.

16h – Oficina Cantos Kaiowá com grupo Okaragwyje Taperendy (MS) e Lançamento do Dicionário Kaiowá-Português

As comunidades kaiowá tradicionais têm um repertório rico e diversificado de ‘cantos’ mborahéi, que são, dentre seus gêneros musicais, os mais próximos, do ponto de vista melódico e do texto, das canções não-indígenas. Os mborahéi permitem entrar em contato com uma profusão de palavras-conceito associadas a cenas míticas, experiências existenciais e à cosmologia do grupo. Nesta oficina pretendemos adentrar a história e a cosmo-teo-antropologia kaiowá através dos cantos. Faremos uma introdução ao vocabulário kaiowá correspondente aos cantos em foco, exercícios corporais desenvolvidos a partir de algumas imagens míticas e de experiências vividas pelas/os indígenas com o grupo Veraju, ensaiar os passos e movimentos que acompanham os cantos. Esperamos proporcionar assim uma experiência intercultural no âmbito da sonoridade, da corporeidade e da poética indígena.

19h – Apresentação Musical: Mulheres Krikati (MA)

Participantes: Lidionesa Patri Krikati, Maria Capacwyj Krikati, Tereza Ehncarhon, Sirlene Hicwyj Krikati, Osvaldo Krikati, Maria Crympej Krikati, Letícia Awju Torino Krikati, Alex Aruj Krikati, Tereza Herwy Krikati e Marines Poroh Krikati
O povo indígena Krikati reside na Terra Indígena Krikati, localizada no sul do Maranhão. Manifestam sua cultura através de suas pinturas, seu modo de vida como também seus cantos e danças.
Na cultura Krikati, as anciãs ensinam os cantos às mulheres mais novas e estes são entoados apenas quando a aldeia está em festa, quando ocorrem os ritos de passagem como o Ehjcrereh (ceveiro) e o Rru’rut (esteirão), encerramento de luto, e demais festas culturais presente na sociedade Krikati. As músicas Krikati falam sobre animais e a floresta, e para cada festa  existem diferentes tipos de músicas, como o canto da fogueira, o canto individual e canto coletivo realizado sempre acompanhado com o maracá.

20h – Estreia Documentário WYTY: Os Cantos de Resistência Gavião Pykopjê

Direção: Djuena Tikuna, Diego Janatã e Vinicius Berger

 

Os cantos do povo Gavião ecoam pela mata de transição entre o cerrado e a amazônia maranhense. Os pykopjê, como se autodenominam, vivem a resistência de sua cultura que encontra alegria na sua cantoria ancestral. Historicamente, os Gavião Pykopjê são lembrados por serem um dos grupos mais aguerridos entre os timbiras, pois se mostraram como uma grande barreira às frentes de expansão agrícola e pastoril que invadiram o sertão maranhense no final do século XVIII, trazendo para os povos indígenas muita guerra e sofrimento.
Na contramão do genocídio, os Pykopjê fortalecem sua identidade enquanto povo e sobrevivem culturalmente com a realização das suas festas tradicionais chamadas de Amji Kin, reunindo todo o povo em celebração com disputas, corridas de tora, comida, troca de presentes e muita cantoria ao lado dos seus parentes timbira e demais convidados. Uma das festas mais importantes dentro desse contexto é a Wyty: “A Festa do Gavião” – um dos ritos de iniciação responsáveis por manter viva a tradição desses cantos como herança para as novas gerações, para que se mantenham sempre em alegria.

21h – Apresentação Okaragwyje Taperendy – Guarani Kaiowá (MS)

Participantes:
Iziney aquino Hilton
Terezinha Aquino
Milka alziro Hilton
Cristiana Hilton Aquino
Ifigeninha Hirto
Wreike Alziro Hilton
Sadrake Alziro Hilton
Wilner Alziro Hilton
Josias Carvalindo Batista
O grupo Okaragwyje Taperendy foi criado pela liderança espiritual Kaiowá Joel Hilton, em 2017. Joel ensinou aos integrantes as rezas e os cantos aprendidos na sua infância e juventude, com suas e seus avós, com sua mãe e seu pai, além de deixar inspirar, criou algumas músicas. O grupo Okaragwyje Taperendy se apresentou em vários eventos em Dourados, Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã. Também realizou e realiza várias ações de revitalização cultural, na área do grafismo e da linguagem. Em 2019, o grupo gravou seu primeiro CD com 24 músicas, que leva por título o nome do grupo.

O Indígenas.BR tem produção da Ethos – Produtora de Arte e Cultura.

 

Toda programação é gratuita.