Exposição

Retratos Quilombolas

07 dezembro 2021 a 09 abril 2022

Ministério do Turismo e Instituto Cultural Vale apresentam Retratos Quilombolas. Com curadoria de Val Barros, a exposição traz 51 imagens das fotógrafas maranhenses Val Barros e Valdira Barros a partir de suas vivências nas comunidades quilombolas Santa Maria dos Pretos, Vila Fé em Deus, Santa Luzia e Santa Joana.

 

Daniel | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros

Retratos Quilombolas

A exposição Retratos Quilombolas nasceu do desejo do encontro com pessoas, almas, paisagens que dizem muito sobre quem somos e que comportam uma parcela significativa da riqueza identitária brasileira.

Nasceu da vontade de pisar no solo desses territórios de piçarra vermelha, de babaçuais que ressoam cantigas de trabalho durante a quebra do coco babaçu, de gente que se reúne para feitura da farinha de mandioca, das vozes que entoam melodias durante as festas de promessa, da roda do tambor de crioula e da dança do coco, evocando cânticos que remetem a outros tempos e lugares.

A força dos territórios quilombolas é sustentada por elementos concretos, materiais, que nos mostram um modo de vida ancorado em labores ligados à terra, mas também por elementos imateriais constituídos por energias sustentadas pelos poderes encontrados nas plantas, na mata, nos rios e por uma espiritualidade com moradia em espaços indizíveis.

O gênero de fotografia classificado como retrato foi e ainda é comumente usado como uma referência da identidade do fotografado. Durante muito tempo no Brasil, inclusive para muitas populações do meio rural, a experiência da fotografia era sinônimo de “tirar retrato”, ou seja, se deixar retratar com o objetivo de produzir uma imagem para um documento oficial, via de regra, a carteira de trabalho ou de identidade.

As fotografias dos escravizados feitas no Brasil com o advento da fotografia em nosso país mostram imagens impregnadas de um olhar influenciado pelo eurocentrismo, apresentando estes como uma “peça” fixa, congelada, isolada do seu contexto de vida e remetendo quase sempre a um exotismo exacerbado. Aos fotografados eram retirados o direito de sorrir e de se expressar de maneira espontânea.

No contexto atual, onde as comunidades negras rurais quilombolas têm que lutar de maneira permanente pelo seu direito histórico de existência, as imagens que compõem esta exposição são o testemunho de olhares, semblantes que possuem uma força transmutada no desejo de preservação dos seus territórios e de suas identidades particulares.

Sair da invisibilidade torna-se cada vez mais crucial em um momento de retrocesso das políticas públicas em relação às comunidades tradicionais brasileiras e as imagens fotográficas podem contribuir para isso.

As fotografias propostas nesta mostra são um convite a um encontro, a um diálogo de olhares: o olhar de quem fotografou, o olhar de quem vê e o olhar de quem é visto.

A exposição é composta por 51 imagens, dentre as quais um conjunto de retratos realizados por mim, especialmente para essa mostra, e uma série de fotografias feitas por Valdira Barros, no contexto da experiência dos projetos de Capoeira Angola desenvolvidos pelo Centro Cultural Mandingueiros do Amanhã nas comunidades quilombolas de Santa Maria dos Pretos e Santa Joana, localizadas no Vale do Itapecuru, Maranhão.

 

Val Barros

Marcelo | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros

Eliete e Raylane, o brilho das meninas capoeiras | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2016 | Fotografia: Valdira Barros
Júlia e Josielma mostram que jogar capoeira também é coisa de menina | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2016 | Fotografia: Valdira Barros
Sandro e Raimundo no jogo da capoeira | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Valdira Barros
Tambor de Promessa para São Benedito. Festas que misturam elementos de matriz africana com o catolicismo pontuam as práticas religiosas nos quilombos | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2016 | Fotografia: Valdira Barros
Eduardo | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros

 

Anselmo | Comunidade Quilombola Vila Fé em Deus | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Mateus | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2016 | Fotografia: Valdira Barros
Leonor | Comunidade Quilombola de Santa Luzia | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Iolanda | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
João Batista, uma das principais lideranças quilombolas da região do Itapecuru | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Maria da Paz | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Sandro | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Murilo, líder comunitário | Comunidade Quilombola de Santa Luzia | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Maria da Silva | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Izabel | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros

 

Dona Roxa | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Benedito | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Eudes | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2016 | Fotografia: Valdira Barros

Edvania | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Rodrigo | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Cauã | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Justino | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Fernanda | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
A falta de infraestrutura básica ainda é uma realidade no cotidiano dos moradores dos quilombos. Iolanda carregando água na cabeça para realização de afazeres domésticos | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Maria | Comunidade Quilombola Vila Fé em Deus | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros

Anielson | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Paula, Mãe de Santo. Continuidade da religiosidade africana | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Santana e sua filha Júlia | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2017 | Fotografia: Valdira Barros

Gracinha | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2017 | Fotografia: Valdira Barros
Rayanderson | Comunidade Quilombola Vila Fé em Deus | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Gerciana | Comunidade Quilombola Vila Fé em Deus | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros

VIVÊNCIA NOS QUILOMBOS

A experiência de trabalho socioeducativo e de contato com as famílias das comunidades quilombolas é algo profundamente transformador. Ao longo dos anos, depois de muitas idas e vindas, do privilégio de acompanhar as mudanças das fases da lua no céu em meio a noites onde as estrelas pareciam próximas de nós, de participar do simples ritual de sentar na beira da porta de casa no final do dia aos festejos que resultam da perseverança na manutenção dos ritos de herança africana, fomos impelidos a fazer parte de uma irmandade muito antiga.

Pouco a pouco, nos sentimos mergulhando em um universo que nos chamava a adentrar, a perceber, a reconhecer a complexidade da vida quilombola. Esse chamado estimulou o aprofundamento do nosso trabalho, gerando uma transformação que veio por meio da troca de afetos, da descoberta da tecitura dos laços familiares, da emoção ao ver a alegria vibrando no rosto das crianças ao aprender e reconhecer os sons do berimbau e a ginga da Capoeira Angola.

No jogo do aprendizado misturamos os papéis de professores e alunos, guiados pelos mestres e mestras do lugar, na vivência de um cotidiano cujo ritmo não tínhamos domínio.

As fotografias que realizei, presentes nesta exposição, retratam cenas das atividades desenvolvidas pelo Mandingueiros do Amanhã, assim como imagens do cotidiano nas comunidades. Estas são um registro espontâneo, permeadas mais pela emoção do momento do que por qualquer técnica ou conceito artístico.

Apresentá-las aqui é uma forma de perpetuar esses momentos e, ao mesmo tempo, expressar gratidão por ter vivido e feito parte da história dessas comunidades que tanto nos ensinaram e continuam a nos ensinar através do seu exemplo de luta e resistência.

 

Valdira Barros

 

Maria | Comunidade Quilombola Vila Fé em Deus | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Uso do tipiti no processo de produção artesanal de farinha de mandioca | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2017. | Fotografia: Valdira Barros

Meninos tocando berimbau a caminho da aula de capoeira | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2016 | Fotografia: Valdira Barros
Mestre Bamba conduzindo a orquestra de berimbaus em apresentação da Orquestra de Berimbaus do Centro Cultural Mandingueiros do Amanhã nos quilombos | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2017 | Fotografia: Valdira Barros
Maria | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Naiane segurando a irmã mais nova | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Fernanda e Daniel indo para a aula de capoeira no barracão comunitário | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2017 | Fotografia: Valdira Barros
Estefany | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
José Raimundo e sobrinha | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Maria da Paz, Paula, Maria Silva e crianças. Nos quilombos as unidades familiares se mesclam em uma tradição comunitária de apoio e solidariedade | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros

Maria | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Amanda | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Izabel e Justino, assim como vários casais nos quilombos, possuem uma longa história de amor, companheirismo e trabalho | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros

Raimundo "Candica" | Comunidade Quilombola de Santa Maria dos Pretos | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Alcione e filha | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2018 | Fotografia: Val Barros
Patricia, liderança quilombola feminina | Comunidade Quilombola de Santa Joana | Maranhão, Brasil, 2017 | Fotografia: Valdira Barros

RETRATOS QUILOMBOLAS

Val Barros e Valdira Barros

 

Curadoria 

Val Barros

Coordenação Artística

Gabriel Gutierrez e Deyla Rabelo

Expografia

Claudia Afonso

Iluminação

Calu Zabel

Comunicação Visual

Fábio Prata

Flávia Nalon

Produção

Alex de Oliveira

Pablo Adriano

Samara Regina

Fotografia

Clarissa Vieira

Montagem

Diones Caldas

Fábio Nunes Pereira

 

CENOTECNIA

Pintura

Cleiton Chaves

Gilvan Brito

Ronald Lopes

Elétrica

Jozenilson Leal

Serralheira

José de Souza Cantanhede

Marcenaria

Edson Diniz Moraes

 

Presidente do Conselho de Administração

Luiz Eduardo Osorio

Presidente do Conselho Fiscal

Rodrigo Lauria

 

DIRETORIA EXECUTIVA

Diretor Presidente

Hugo Guimarães Barreto Filho

Diretora Executiva

Flávia Martins Constant

Diretora

Christiana Saldanha

 

Direção e Coordenação Artística

Gabriel Gutierrez

Assistência de Direção

Deyla Rabelo

Coordenação do Programa Educativo

Ubiratã Trindade

Educadores

Alcenilton Reis Junior

Erick Araújo

Maeleide Moraes Lopes

 

 

Estagiários do Programa Educativo

Amanda Everton

Carlos Eduardo Oliveira de Carvalho

Gabriel dos Anjos Costa

Coordenação de Comunicação

Edízio Moura

Fotografia, Design e Assistência de Comunicação

Clarissa Vieira

Coordenação de Produção

Alex de Oliveira

Produção

Pablo Adriano Silva Santos

Samara Regina

Coordenação Financeira

Ana Beatris Silva (Em Conta)

Financeiro

Tayane Inojosa

Administrativo

Ana Célia Freitas Santos

Recepção

Adiel Lopes

Jaqueline Ponçadilha

José de Ribamar Pinheiro Ferreira

Zeladoria

Fábio Rabelo

Kaciane Costa Marques

Luzineth Nascimento Rodrigues

Segurança

Raimundo Vilaça

Izaías Souza Silva

Raimundo Bastos

Carlos Roberto Rocha