Programação


Exposição Herança Africana na Arte Sacra Brasileira: Oratórios

11 maio –
11 agosto 2018

Os oratórios reunidos nesta exposição capturam nosso olhar e nosso espírito pela originalidade, pela beleza e pelos tantos significados que carregam. Os artistas negros que os esculpiram, cuja identidade já não é possível recuperar, deixaram em cada peça a marca de sua cultura de origem, que aparece forte em algumas, sutil em outras. Deixaram sua arte na releitura de padrões estéticos que não eram os seus. Uma forma de fazer a cultura do outro mais próxima, absorvendo-a em certo grau e transformando-a definitivamente.

Os materiais mais simples e corriqueiros por eles utilizados, as dificuldades de realização pela escassez de instrumentos de esculpir, a liberdade expressiva que se nota nas pinturas e ornamentações, a religiosidade reprimida e intimista são alguns aspectos que o olhar perspicaz da curadora Angela Gutierrez, grande conhecedora da arte sacra brasileira, identifica nessas peças.

Sabe-se que os povos negros que vieram para as Américas eram urbanos e tinham conhecimento de ofícios ligados a esse tipo de ambiente, certamente muitos tinham habilidade escultórica e talento artístico e os exerceram da maneira que lhes foi possível, cheia de percalços e restrições que a escravidão lhes impôs.

Podemos olhar para estes oratórios de muitas formas, uma delas é como uma pequena metáfora da cultura popular brasileira: forjada na dificuldade, mesclada, vibrante, cheia espírito e originalidade.

O CCVM tem a satisfação de receber oratórios tão especiais, raros e pela primeira vez exibidos em conjunto. Uma bela homenagem ao povo negro do Maranhão, vinda das Minas Gerais neste ano em que celebramos a grandeza do negro em nossa cultura.

Agradecemos Angela Gutierrez por este presente inédito, por sua disposição em compartilhar e, sobretudo, por seu trabalho de décadas reunindo uma excepcional coleção brasiliana, que já deu origem a três museus (Oratório, Artes e Ofícios e Sant’Ana) e continua a frutificar em exposições como esta.

Paula Porta

Diretora e curadora do CCVM