Apresentação

O Centro Cultural Vale Maranhão abre suas portas com o desejo de cumprir o duplo papel que cabe a toda instituição cultural que é, de um lado, abrir oportunidades para artistas, criadores, produtores de cultura e, de outro lado, tão importante quanto, abrir oportunidades para o público de interagir com a produção cultural e com a arte, a oportunidade de ser tocado ou transformado por ela.

Acreditamos que um centro cultural deve proporcionar experiências, deve instigar o pensamento, deve disponibilizar conhecimentos, deve abrir espaço para o que é pouco conhecido e deve provocar novas maneiras de olhar para o que se conhece muito.

Buscamos construir um espaço que seja para todos. Estamos de braços abertos para receber o público espontâneo e empenhados em estimular a vinda do público inabitual, que não costuma frequentar espaços culturais por falta de condições ou de oportunidade.

Situado no incrível centro histórico de São Luís, o CCVM nasce com a intenção de interagir com esse espaço privilegiado, relacionando-se com moradores, profissionais e instituições do entorno, valorizando e chamando a atenção para essa pequeno universo que anda esquecido por muitos maranhenses.

Queremos somar com as instituições culturais vizinhas e pensar maneiras de atuação conjunta, ajudando a fortalecer o centro histórico como pólo cultural da cidade.


programação

A programação prevê exposições de diferentes portes, oficinas, performances, apresentações, projeções, palestras, lançamentos, festivais, eventos… e tudo que possa ser recebido com qualidade e tornar-se acessível a um público diverso.

Priorizamos a produção cultural maranhense sem deixar de abrir espaço para conteúdos que venham de outros lugares. Acreditamos que a troca e o vai e vem de pessoas e projetos são dinâmicas essenciais para que a cultura possa cumprir seus diferentes papéis.


o prédio

Para atender projetos de tamanhos e características variadas, foram criados espaços versáteis que podem ser compartimentados. O mobiliário é multiuso e o layout é neutro, para que a programação ganhe destaque.

Escolhemos o saguão, o pátio e o café como espaços que celebram a cultura do Maranhão com a presença permanente de peças artísticas e acabamentos criados pelos artesãos da terra.

Pesquisas e viagens nos permitiram mergulhar em diversos aspectos da identidade local e trabalhar na definição das peças junto com os artesãos. O Maranhão nos deixou extasiados com sua paisagem natural e, sobretudo, com sua paisagem humana.

Neste vasto Estado, onde quer que se vá, impressiona a capacidade de criação artística e cultural, as habilidades, o domínio de técnicas e os saberes do povo negro. Registramos aqui nossa admiração e nosso reconhecimento. Não temos dúvida que essa força cultural será um dos destaques do CCVM.

O Tríptico Cazumba que está no saguão foi criado por Arnaldo, Domingos e Gesiel Lobato, artistas vindos de Penalva, que brilham no Boi Unidos de Santa Fé e aceitaram o convite para transpor essa arte para a parede.

No balcão da recepção está aplicada uma peça de couro elegante como o mestre que a executou em Chapadinha, no sertão. Seu Zezito (José Carneiro Machado), artesão do couro, aos 97 anos aceitou a encomenda e nos encantou com seu trabalho e sua conversa.

A Manta Guajajara foi criada pelas meninas da Aldeia Lagoa Quieta em Amarante do Maranhão. Cíntia, Marina, Celestina e Sandiara se empenharam em recuperar os grafismos de seu povo, alguns já esquecidos e teceram com tiririca essa peça ímpar.

Juntamente com a sofisticada cestaria dos Canela, vinda da Aldeia Escalvado em Fernando Falcão, essas peças demonstram porque admiramos tanto a arte indígena do Maranhão. São um luxo em estética, qualidade de execução e significados.

O Centro Cultural Vale Maranhão estará empenhado em receber e divulgar a cultura dos povos indígenas. Há um incrível universo cultural a desvendar para um público mais amplo: Guajajara, Canela, Ka’apor, Awa, Krikati, Gavião, Krenyê, Krepunkateiê, Tremembé, Gamela…

A monumental rede em crochê de linho de buriti, instalada no vão da escada, foi feita por 20 mulheres de Tutóia. É composta por 500 peças tingidas com urucum, salsa da praia e gonçalaves. Um trabalho primoroso, que é mais uma preciosidade deste Estado.

Maria José Frazão, grande ceramista, criou imensos potes em Humberto de Campos e segue lutando para que sua técnica não desapareça.

Essa luta pela preservação é também dos tecelões de São Simão, em Rosário. Zé Branco, Francimar Magno e Isaías Cantanhede fizeram em tear manual o belo tecido das almofadas do café e da arquibancada.

No café temos mais uma das especialidades da terra, o modelismo naval. Ali está o processo construtivo dessa embarcação que é patrimônio nacional, a canoa costeira. Foi realizada por Sebastião de Jesus e Ricardo Melo, que ensinam no estaleiro-escola, outra jóia maranhense.

Os azulejos de cerâmica do balcão, que remetem aos azulejos em relevo hoje raros em São Luís, foram executados às margens do Itapecuru, em Rosário, pela mãos habilidosas do Valdo (Valdirenes Brito), da Cerâmica Adonai.

As cadeiras espanta visita foram feitas em Santa Rosa dos Teodoros, em Tutóia. São peças comuns de encontrar na região dos Lençóis e que nos chamaram atenção pelo desenho limpo.

Os ladrilhos hidráulicos do pátio e do café foram feitos por Martinho Almeida, da Fábrica Santa Rosa, hoje o único mestre que domina este ofício em São Luís.

E quem há de discordar que o artesanato do Maranhão é excepcional? Talvez quem ainda não o conheça. Estaremos empenhados em ajudar a divulgar essa riqueza, na programação e também na loja conceitual Curiá, Artes do Maranhão, criada com essa finalidade.

Elementos da identidade cultural maranhense foram traduzidos graficamente e estão na sinalização do prédio, no uniforme, no site, no catálogo e em tantas outras coisas que ainda virão.

O Centro Cultural Vale Maranhão é resultado de um trabalho coletivo que envolveu mais de 150 pessoas entre projetos e execução. Registramos aqui nosso agradecimento a esse grupo tão especial em sua competência e em seu comprometimento.

Quando iniciamos esse trabalho, muitos vieram nos dizer que teríamos enorme dificuldade para encontrar no Maranhão a mão-de-obra e os serviços necessários para implantar o CCVM. Pois foi bem o oposto. Tivemos aqui uma equipe habilidosa e muito profissional, com mais de 90 pessoas, todos maranhenses.

Por fim, agradecemos a maneira amiga, generosa e elegante com que fomos recebidos em toda parte onde fomos buscar conhecimento, referências e informações sobre essa terra maranhense.

Queremos seguir o exemplo e também receber a todos com elegância e amizade, instigando ou encantando o pensamento e o espírito.

Paula Porta
idealizadora e curadora do Centro Cultural Vale Maranhão
abril, 2017


ficha técnica

concepção, curadoria, coordenação geral
Paula Porta (PORTA PROJETOS)

arquitetura e design de interiores
Marcelo Rosenbaum e Adriana Benguela (ROSENBAUM)/ Gabriel Gutierrez (ESTUDIO NAU)

iluminação de fachadas
Carlos Fortes e Débora Esposto (ESTÚDIO CARLOS FORTES)

elétrica, hidráulica, climatização
Felipe Pacheco de Oliveira

design gráfico, sinalização e site
Fábio Prata e Flávia Nalon (PS2)

automação
Bettoni Automação/ SPARK CONTROLES

gestão
Instituto Para o Desenvolvimento Humano – IDH
Marcos Reys, Heloisa Bortolo, Natalia Chamusca, Paulo Simas, Vitor Portugal (Fundação Vale)/ Ana Beatris Silva (Em conta)

plano de gestão e de recepção de público
Ana Beatris Batista Silva e Lázaro Oliveira

obra
Módulo Serviços e Locações
Yves Pacheco da Motta Filho, João Manoel Soares Barros, Jônio Pavão
Abmael Sá Carvalho, Adelson Viana Sampaio, Agnaldo Piantavinha Lima, Albertino do Nascimento Pereira, Anderson Cleuton Martins Santos, Antônio Dilson Sá, Antônio Moura Oliveira, Cândido Rosalias Cordeiro Sobrinho, Cláudio Martins dos Santos, Claudionor Brito Araújo, Darivaldo Silva Rabelo, Diego Alexandre Rodrigues Ribeiro, Dino César Correia França, Edergil Diniz Santos, Edmilson Mendes, Edson Costa Ferreira, Edvaldo Gonçalves, Francisco Gomes, Gemerson Silva Lins, Gilson Cezar Pereira Lima, Gilvan Brito, Gonçalo Acácio dos Santos, Heleno Gomes dos Santos, Ivanor Conceição Diniz, Jadson Barros, José Américo da Silva Filho, José Francisco Costa Ribeiro, José Raimundo Sampaio, José Ricardo Santos da Silva, Jozenilson da Silva Leal, Junior Fonseca Pereira, Klis Alberth Cabral Ferreira, Luiz Barros Oliveira, Manuel Wanderson Alves Pereira, Marçal Silva Pinto, Márcio Irineu da Anunciação, Maria Cristina Lemos, Nelito Nunes Rodrigues, Paulo da Luz Alves, Péricles Martins de Oliveira, Reinaldo Livramento Nunes, Roldão Gomes de Castro Neto, Ronaldilson dos Santos Farias, Sergio Guilherme da Silva Abreu, Sérgio Luís Brito da Silva, Sidiney da Silva Júnior, Taiane Moreira Pedroza Mendonça

serralheria
Raimundo de Oliveira (Raimundinho) – Anil

marcenaria
FW STORE: Fernando Silva Fernandes, Edivan Rodrigues Mochel, Elvirlan Durans Mendes, Emerson Carlos Frazão Ribeiro, Gildernilson Silva Pereira, Leonilson Pinheiro Brito, Ricardo de Castro Oliveira

SENSAÇÃO DESIGN: Augusto César Silva Abreu, Alex Lisboa Sousa, Augusto Cesar Silva Abreu, Carlos Henrique Silva Abreu, José Antonio Campos Lopes, Lorinaldo Campos Lopes, Luanderson Reis Abreu

LOJÃO DAS PORTAS: Abinadabi Jr. (forro espinha de peixe e assoalho)

climatização LOPES REFRIGERAÇÃO: Edilson Barbosa Costa, Jorge Afonso Neves da Silva, Samuel Alves Serra


Agradecimentos

Jandir Gonçalves, Edgar Rocha, Euclides Talabyan (in memorian), Beto Matuck, Marcelo Medeiros, Angela Gutierrez, Luiz Phelipe Andrés, Andrea Vasconcelos, José Jorge Leite Soares

Kátia Bogéa, Jurema Machado, Maria Bernadete Porto, Rafael Arrelaro, Glayson Nunes, Izaurina Nunes

Zenaldo Oliveira, Luiz Gustavo Gouvea, Alessandro Michelli


Iniciativa

A implantação do Centro Cultural Vale Maranhão é uma iniciativa da Fundação Vale.

Com o compromisso de contribuir para o desenvolvimento social e humano de comunidades onde a Vale está presente, a Fundação Vale busca ampliar o acesso à cultura e preservar a memória e as identidades culturais locais por meio de seus ativos culturais.

A Vale está há mais de três décadas no Maranhão, embarcando minério de ferro do Brasil para o mundo. Temos um profundo respeito e admiração por este Estado, reconhecido por sua cultura vibrante e diversa. Esperamos que o Centro Cultural Vale Maranhão se consolide como um espaço de valorização da cultura maranhense e contribua para o fortalecimento da vocação cultural e educacional desse importante centro histórico.

Isis Pagy
diretora presidente da Fundação Vale

A Fundação Vale também é responsável pela manutenção do Memorial Minas Gerais Vale (Belo Horizonte -MG), do Museu Vale (Vitória -ES) e da Casa de Cultura de Canaã dos Carajás (PA).

Instituição gestora

Associação Centro Cultural Vale Maranhão

A associação é uma entidade sem fins lucrativos, criada em 2011 para gerir o CCVM e estabelecer as parcerias importantes para seu pleno funcionamento.